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O Guaíba alcançou 4,27 metros em Porto Alegre nesta sexta-feira (24), conforme a medição feita pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema). O repique, resultado da chuva que atinge a capital e boa parte do estado desde quinta (23), causa insegurança na população.
Na capital, a prefeitura chegou a colocar sacos de areia para conter o avanço do lago no mesmo local onde, uma semana antes, foi derrubada de uma comporta para escoar a água acumulada na rua.
A instabilidade superou os 100 milímetros em 24 horas em Porto Alegre. O mês de maio foi o mais chuvoso na cidade em mais de um século, aponta um levantamento da Climatempo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) obtidos desde 1916.
A água, que subiu pelos bueiros, alagou locais que não tinham sido atingidos anteriormente. A situação é explicada por um conjunto de problemas: volume de chuva, obstrução de galerias de escoamento e limitações nas casas de bombas.
A situação deixa a população sem saber o que fazer, diante do risco de alagamentos. Na quinta, estudantes de uma escola precisaram ser resgatados após a inundação na Zona Sul, por exemplo.
“Não tem como permanecer, gera uma insegurança muito grande”, diz Laura Bock Garcia, diretora da escola.
No Centro Histórico, pessoas estavam vasculhando o lixo deixado na rua. Nesta sexta, moradores ainda lidavam com a inundação e com a limpeza dos locais afetados na Zona Sul.
“Quem dorme? Se o senhor olhar pra minha cara, eu tô com a cara do espanto, eu tô com a cara do horror”, desabafou a dona de casa Roberta Pacheco.
A Defesa Civil de Porto Alegre emitiu nesta sexta-feira alerta para 26 pontos com alto risco de deslizamentos, processos erosivos e rolamento de blocos em áreas suscetíveis. O alerta é válido até a segunda (27). No Vale do Taquari, o risco de deslizamento de terra forçou a retirada de 300 moradores de suas casas em Cruzeiro do Sul, uma das cidades afetadas pelos temporais no final de abril.
O governador Eduardo Leite (PSDB) sancionou a lei que institui o Plano Rio Grande e o Fundo do Plano Rio Grande. O ato contou com a presença de Paulo Pimenta (PT), ministro-chefe da Secretaria Extraordinária de Apoio à Reconstrução do RS.
O estado registra 163 vítimas em razão do desastre. Há 65 pessoas desaparecidas. As chuvas e enchentes também deixaram 806 feridos e 645 mil pessoas fora de casa. Além disso, quatro pessoas morreram por leptospirose após contato com a água suja e contaminada das enchentes.

