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A reconciliação necessária

COR LITÚRGICA: BRANCO

Memória de Santo Antônio de Pádua, presbítero e doutor da Igreja | Quinta-feira


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: ‘patife!’ será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de ‘tolo’ será condenado ao fogo do inferno. Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta. Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”. (Mt 5, 20-26)

Amados irmãos de fé e caminhada!

A busca do espírito da Lei levou Jesus a reinterpretar os mandamentos do Decálogo. O mandamento de não matar, na perspectiva de Deus, vai além do gesto de tirar a vida física do próximo. Pelo contrário, inclui ter um trato fraterno e respeitoso para com o próximo, evitando agredi-lo verbalmente, desmoralizá-lo e fazê-lo perder a boa fama. Existe, portanto, uma maneira de “matar” o próximo sem privá-lo da vida física, que também é proibida pelo mandamento. O discípulo do Reino não pode ficar tranquilo se, com palavras e gestos inconsiderados, acaba por ferir o próximo.

O mandamento exige, também, viver reconciliado com o próximo, como pré-condição para um bom relacionamento com Deus. Uma oferenda só é agradável ao Pai se quem a oferece não guarda, em seu coração, ódio nem rancor contra o próximo. Enquanto não se fizer a reconciliação, a oferta não poderá ser feita, porque Deus não a aceitará.

Por outro lado, o processo de reconciliação não pode ser protelado indefinidamente. Existe um tempo limite para fazê-lo. É preciso agir prontamente para não se acabar nas mãos do juiz – Deus – que pedirá conta da ofensa grave à sua Lei.

A reinterpretação dos mandamentos por parte de Jesus permite ao discípulo tornar-se mais afinado no seu desejo de relacionar-se corretamente com Deus e com o próximo. Jesus é o modelo de perdão ao pedir ao Pai por seus algozes: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.”

Desejo-lhe uma santa semana.


Apolônia Ribeiro

Missionária da Paróquia do Senhor Bom Jesus dos Remédios / Afogados da Ingazeira

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