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STF decide se 25 mil cearenses devem se tornar piauienses

Sessão plenária do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) está próximo de julgar a validade de um decreto que remonta aos tempos do Império, opondo os estados do Ceará e do Piauí em uma disputa secular por território.

A depender da definição da Corte, 25 mil cearenses podem acabar se tornando oficialmente piauienses – isso preocupa as pessoas que vivem na região do litígio, devido ao potencial impacto às suas identidades culturais.

A ministra Cármen Lúcia, relatora do caso, espera para a próxima semana a entrega de uma perícia técnica – medida ordenada por ela em 2019 – em uma área de 2,8 mil quilômetros quadrados na região da chamada Serra da Ibiapaba.

O Serviço Geográfico do Exército informou à ministra que os trabalhos estão em fase de conclusão e que o laudo pericial deve ser juntado ao processo até o dia 28. Houve uma reunião sobre o tema na terça-feira, segundo consta nas agendas oficiais.

Três pedaços de terra estão no centro do embate sobre a linha divisória entre os dois Estados. O governo do Piauí pede ao STF a demarcação de territórios que hoje são considerados cearenses pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O litígio remonta não só ao decreto, mas também a outros acordos e documentos históricos que não deixam claro se as áreas são de fato do Ceará ou se houve um avanço indevido sobre terras do Piauí.

Recentemente, o governo do Piauí chegou a anexar nos autos mapas que datam de 1840, “para justificar o direito irrefragável e inauferível do autor ao território disputado” no Supremo.

Já o Ceará diz ter embasamento legal e jurídico para manter-se “dono” das terras – e defende que os aspectos sociais não podem ser ignorados, como a resistência da população à mudança de naturalidade.

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