
O auditor Julio Cesar Vieira Gomes foi indicado, em 30 de dezembro de 2022, para o cargo de adido tributário e aduaneiro na Embaixada do Brasil em Paris, na França, por dois anos. O então secretário da Receita Federal (RFB) teria tentado interferir, no último dia do ano, na liberação das joias dadas como presente à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pelo governo da Arábia Saudita.
A nomeação foi assinada no Diário Oficial da União pelo ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos), que assumiu interinamente a Presidência da República à época, em razão da ida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos. Porém, logo em 1º de janeiro de 2023, Vieira Gomes foi demitido do cargo de secretário da RFB pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com informações de O Estado de S. Paulo, o conjunto, composto por colar, brincos, anel e relógio da marca Chopard, avaliados em R$ 16,5 milhões, depois de passar mais de um ano em poder da alfândega, seria oferecido em leilão de itens apreendidos pela RFB por sonegação de impostos.
Os objetos foram apreendidos com um integrante da comitiva oficial do governo brasileiro ao país árabe, o militar Marcos André Soeiro, assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em 2021. Ele teria dado uma “carteirada” no aeroporto de Guarulhos, mas não conseguiu sair do local com as joias.
Na tentativa de recuperar as joias apreendidas pela Receita Federal, o governo Bolsonaro utilizou diferentes ministérios. A pasta de Minas e Energia também acionou o Itamaraty, mas não conseguiu recuperar as joias.
Bolsonaro negou qualquer ilegalidade das joias após o caso vir à mídia. “Estou sendo acusado de um presente que eu não pedi nem recebi. Não existe qualquer ilegalidade da minha parte. Nunca pratiquei ilegalidade”, afirmou Bolsonaro. A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro também disse não saber que tinha as joias. “Quer dizer que eu tenho tudo isso e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês vão longe mesmo, hein?! Estou rindo da falta de cabimento dessa imprensa vexatória”, disse a futura presidente do PL Mulher.


