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Sérgio Massa virou o candidato dos peronistas na última hora

Sergio Massa durante evento em Buenos Aires em 19 de julho de 2023

Sergio Massa é um aliado de Cristina Kircher, mas ele é considerado um ortodoxo entre os esquerdistas. A primeira opção da coligação governista para ser candidato à presidência foi o ministro do Interior, Wado de Pedro –ele, sim, é um aliado próximo de Cristina Kirchner.

No entanto, um dia depois de anunciar a candidatura de Wado de Pedro, a coligação partidária publicou um tuíte no qual afirmava que o candidato é Sergio Massa.

Massa começou a vida política em um partido conservador, a UCeDé.

Anos mais tarde, ele tornou-se aliado de Nestor Kirchner e permaneceu no cargo até o govenro de Cristina, quando ele tornou-se chefe de gabinete dela. Os dois já brigaram, e Massa tentou se afastar do kirchnerista e se apresentar como um peronismo independente. A reconciliação aconteceu em 2019.

Brasil espera que eleição na Argentina vá ao segundo turno

Eleições na Argentina: conheça propostas dos principais candidatos a  presidente | O TEMPO

Diante da liderança nas pesquisas do candidato ultraliberal de direita, Javier Milei, o governo Lula espera que a eleição na Argentina seja decidida em segundo turno.

A primeira etapa da votação ocorre neste domingo (22) no país vizinho, com os dois oponentes Sergio Massa, ministro da Economia do governo atual, e Patrícia Bullrich, ministra do ex-presidente Maurício Macri, em segundo e terceiro.

As apostas vão no sentido de que Patrícia Bullrich se desidrate na reta final e tenha poucos votos, podendo garantir a vitória de Javier já na disputa deste domingo. Para ganhar no primeiro turno, Milei precisa ter pelo menos 45% dos votos, ou 40% com diferença de dez pontos para o segundo colocado.

A expectativa da equipe de Lula pelo segundo turno é que, em uma etapa final, haja um debate mais equilibrado sobre o que representam as propostas de Javier Milei para o futuro da Argentina.

Ele propõe dolarizar a economia do país, o que já foi tentado uma vez e não deu certo. Além disso, diz que vai acabar com o Banco Central argentino e ameaça até romper relações com o Brasil.

O fim de uma era política na Argentina: o que está em jogo nas eleições presidenciais de domingo

Os eleitores argentinos votam no primeiro turno das eleições presidenciais neste domingo (22). A votação deve marcar um novo momento do país, com uma reconfiguração das principais forças políticas da Argentina.

Segundo Federico Zapata, diretor da consultoria Escenarios, a organização política atual da Argentina teve início em 2003, com a eleição de Nestor Kirchner, e deve ser alterada agora porque nenhum dos candidatos, nem mesmo o que representa o governismo, defende o continuísmo. “É o fechamento de uma época que teve uma série de pilares econômicos, culturais e políticos, e o que está em votação é a forma como vai acabar essa época, se isso será de uma forma mais ou menos radical”, afirma ele.

Além disso, também está em jogo o que deverá acontecer com a economia do país nos próximos 10 ou 15 anos, de acordo com a cientista política Maria Esperanza Casullo, professora da Universidad Nacional de Río Negro.

Em agosto, houve as primárias, que são obrigatórias para todas as coligações. Um dos objetivos dessa votação é tirar do pleito os candidatos nanicos e manter só os que realmente têm chances. Além disso, as primárias são consideradas uma espécie de ensaio para o que deve acontecer no primeiro turno. O resultado deste ano foi quase um empate triplo:

Javier Milei, deputado federal de extrema direita, em primeiro, com 29,86%;
A coligação de Patricia Bullrich, ex-ministra de Segurança de Macri, em segundo com 28%;
A frente política de Sergio Massa, o atual ministro da Economia, em terceiro com 27,27%. 

Os resultados das primárias não foram previstos pelas pesquisas eleitorais. O jornal espanhol “El País” fez uma compilação das pesquisas para o primeiro turno A maioria das pesquisas aponta que Milei deve ficar em primeiro, mas há muita variação — entre as 10 últimas, 7 apontam que Milei fica em primeiro lugar, e 3 dizem que é Massa. A tendência é que a eleição vá para o segundo turno.

O que está em jogo
A reconfiguração das forças políticas
Desde 2003, a política argentina é dividida entre apoiadores e adversários de uma vertente de esquerda do peronismo (ou seja, herdeiros políticos de Juan Domingo Perón, que foi presidente da Argentina três vezes durante o século 20).

Em 2003, o país elegeu o esquerdista Nestor Kirchner. A mulher dele, Cristina, venceu as duas eleições seguintes. O kirchnerismo é considerado a corrente dominante do peronismo nos últimos 20 anos.

Neste período, as eleições presidenciais foram marcadas por disputas entre um kirchnerista e um opositor, geralmente ligado à direita mais tradicional. Um único presidente de direita foi eleito, Maurício Macri, que governou entre 2015 e 2019.

Em 2023 a escolha não é entre um candidato kirchnerista versus um antikirchnerista porque há três candidatos com chances reais de serem eleitos:

O candidato ligado aos Kirchner é Sergio Massa;
Patricia Bullrich é a candidata da direita tradicional;
Javier Milei representa uma nova força política.

Governo brasileiro acredita que vitória de Milei representaria ‘retrocesso diplomático’ nas relações entre Brasil e Argentina

O economista Javier Milei, candidato à presidência da Argentina, durante o ato de encerramento de campanha, nesta quarta (18) — Foto: Matias Baglietto/Reuters

Segundo apuração do repórter da GloboNews, Guilherme Balza, uma fonte de governo brasileiro disse “que uma vitória de Javier Milei representará um retrocesso diplomático sem precedentes no contexto da América do Sul e nas relações entre Brasil e Argentina”.

Ao longo de sua campanha à presidência da Argentina, o candidato radical de extrema-direita deu uma série de declarações, críticas, ataques ao governo brasileiro e diretamente à figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Milei já chamou Lula de comunista, totalitário, de socialista. Disse ainda que o governo Lula usurpa a liberdade de imprensa, que as urnas eletrônicas do sistema eleitoral brasileiro não são confiáveis e que o governo Lula foi o responsável pela tentativa de golpe de estado. Um discurso muito alinhado com aquilo que é dito por Bolsonaro e também pelos seus aliados.

Em razão dessa preocupação, um grupo de marqueteiros que são ligados ao PT, que atuaram na campanha de Lula na campanha e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad no ano passado, foram trabalhar na campanha de outro candidato, Sérgio Massa para tentar impedir uma vitória do Javier Milei. O governo brasileiro teme que haja uma onda de direita nessa reta final, que não está sendo captada pelos institutos de pesquisa e que ele possa ganhar no primeiro turno.

De acordo com a fonte ligada ao governo, a principal preocupação é que se tiver um segundo turno Javier Milei pode adotar uma linha um pouco mais moderada, compor de alguma forma com o centro, mas se ele ganhar no primeiro turno, ele tem mais capital político para executar tudo aquilo que ele vem postulando.

Candidatos à presidência na Argentina finalizam campanha prometendo diminuir a inflação

Javier Milei, Sergio Massa e Patricia Bullrich disputam o eleitorado argentino neste fim de semana — Foto: Reprodução/Bom Dia Brasil

A última semana de campanha presidencial na Argentina foi marcada por aparições públicas dos três principais candidatos. Javier Milei, Sergio Massa e Patricia Bullrich promoveram grandes comícios.

Como se fosse uma estrela de rock, o ultraliberal de extrema direita Javier Milei discursou em uma arena em Buenos Aires e disse acreditar numa vitória em primeiro turno. A polêmica ficou por conta do economista Alberto Benegas Lynch, integrante da equipe de Milei, que disse que a Argentina precisa cortar relações diplomáticas com o Vaticano.

Atual ministro da economia, de centro-esquerda e apoiado por Cristina Kirchner, Sergio Massa encerrou a campanha em uma fábrica na região metropolitana da capital. Ele discursou ao lado do governador de Buenos Aires e afirmou que o governo dele será diferente do de Alberto Fernández.

Já Patricia Bullrich, ex-ministra de segurança do governo Macri e candidata da direita tradicional, fez seu último discurso ao lado do ex-presidente Mauricio Macri, também na região metropolitana de Buenos Aires. Bullrich disse que vai acabar com o Kirchnerismo e que as ideias de Milei são perigosas.

As pesquisas de intenção de voto apontam que o eleitorado segue dividido em três blocos, repetindo o resultado das primárias em agosto, quando as três principais coalizões receberam aproximadamente 30% dos votos cada.

Os argentinos vivem um momento de descrença política. Nos últimos oito anos o país foi governado pela direita e pela esquerda, e não conseguiu que a estabilidade econômica fosse alcançada.